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| Foto divulgação |
O diretor italiano Marco Bechis concedeu uma breve entrevista ao PIBID LETRAS FILMATURA sobre algumas impressões com relação do filme Terra Vermelha. Confira!
P.F. - O que o surpreendeu durante seu contato com os
indígenas de Dourados e de Panambizinho? Existia algum conceito formado que não
se confirmou?
M.B. - Acho que todos os preconceitos eu aprendi a
deixá-los para trás, a coisa mais importante que eu aprendi com os kaiowas é
que sempre pensei que depois de uma experiência como aquela, eu incluiria na
minha família os amigos kaiowas. Mas o que realmente aconteceu foi que eu
passei a fazer parte da família deles. Isso não é a mesma coisa.
P.F. - O que o surpreendeu durante seu contato com os indígenas
de Dourados e de Panambizinho? Existia algum conceito formado que não se
confirmou?
M.B.- O preconceito de que eles estão
"desaculturados" porque usam roupa ocidental, ingerem bebida
alcoólica e porque assistem TV, foi imediatamente substituído pela convicção de
que eles podem fazer as mesmas coisas que nós fazemos (se vestir com cores,
jeans, tênis, usar bebida alcoólica etc.). Isso não muda o que realmente são.
Eles tem uma cultura milenar que nós não temos, e por esse motivo eles querem
voltar para suas terras, mesmo se elas não tenham mais árvores. O Ambrósio
(ator que representa Nádio no filme) expressou muito bem isso quando me disse:
"mesmo pelada (sem árvores) eu quero minha terra."
P.F. - Como foi a escrita do roteiro junto com Luiz
Bolognesi? O curso das filmagens e o contato com os indígenas alteraram o
roteiro?
M.B. - O contato com os atores indígenas e as suas
comunidades fez o roteiro mudar todos os dias. Isso deu mais trabalho para Luiz
Bolognesi, que escrevia em um computador sentado numa cadeira no meio do mato.
P.F. - A região guarani-kaiowá foi estudada por
antropólogos no período que antecedeu ao filme, alguns contratados por você ou
por sua equipe. Quais as perguntas que orientaram as pesquisas de campo desses
profissionais?
M.B. - Eu estive mais interessado na complexa cosmogonia
guarani do que nos problemas sociais que os preocupavam. Não me detive na
análise ao estilo da sociologia ou da antropologia clássica de análise dessa
cultura. Queria saber o que eles enxergam no outro mundo. Como se relacionavam
com o anguê e os espíritos.
P.F. - O trabalho de atuação dos índios terminou por ser
peça chave no contexto da obra. Qual a principal dificuldade desses
índios-atores para filmarem?
M.B. - A única dificuldade apareceu depois das filmagens,
a tristeza de ver que nenhuma outra produção brasileira voltou a
trabalhar com aqueles atores que coloco entre os melhores do Brasil.
Eles não são indígenas atuando. São atores. Estudaram
comigo e com Luiz Mario (o preparador), por seis meses, viram filmes comigo e
discutiram cinema, por isso eu acho curioso que ninguém os tenha convidado
novamente para um set de filmagem.
Terra Vermelha foi filmado no ano de 2007 na região de Dourados, indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza e
exibido na abertura da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o
filme conta com a co-produção brasileira da Gullane Filmes e com nomes famosos como Leonardo Medeiros , Matheus Nachtergaele, os italianos Claudio Santamaria e Chiara Caselli, além dos atores indígenas Alicélia Cabreira, Ambrósio Vilhalva, Abrisio Pedroso, Ademilson Verga e Eliana Juca da Silva.
O Filme será exibido neste sábado, dia 24 de novembro, na Unidade I da UFGD, antigo CEUD as 17 horas para o público vestibulando, já que cairá no vestibular 2013 da UFGD.

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